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“Mobilização popular deve estimular projeto de desenvolvimento socialmente justo.” A importância da participação popular na construção do projeto de desenvolvimento mais adequado à região foi um dos principais pontos destacados pelo professor Antônio Inácio Andrioli durante o “Seminário: Desenvolvimento na Região Celeiro”. “Não há desenvolvimento sem democracia plena. E democracia plena pressupõe socialização das informações”, acrescentou o professor, membro da Comissão de Implantação da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), que terá campus em Cerro Largo.
O evento, realizado em Três Passos, na última sexta-feira (22/08), foi promovido pelo deputado Elvino Bohn Gass (PT), para incluir a sociedade no debate de alternativas de ação que contribuam para o processo de desenvolvimento da região Celeiro. O professor iniciou o painel estabelecendo conceitos distintos para os termos crescimento e desenvolvimento econômico. “Uma região pode crescer sem, necessariamente, desenvolver-se. Desenvolvimento pressupõe distribuição de renda e equilíbrio ambiental”, argumentou. Por isso, defendeu que o projeto de desenvolvimento da região Celeiro seja balizado pela produção de alimentos saudáveis e geração de energias renováveis a partir de processos produtivos sustentáveis. “A região deve ser auto-suficiente do ponto de vista da produção de alimentos. Além disso, é preciso aproximar agricultores e consumidores locais. Assim, garantimos melhores preços, qualidade do produto e renda para o produtor”, opinou.
Andrioli ressaltou ainda a importância do conhecimento para o progresso das regiões. Neste sentido, lamentou o desmonte da Uergs pelo governo gaúcho no momento em que o Senado Federal aprova o projeto de criação da UFFS. “Instituições públicas de nível superior tem papel estratégico no desenvolvimento regional. A criação da Universidade Fronteira Sul vai ao encontro desta idéia. O sucateamento da Uergs segue a contramão”, frisou.
Por fim, lembrou que a crise do capitalismo é prova concreta de que modelos de desenvolvimento baseados na obtenção do lucro não atendem as necessidades da população. “A qualidade de vida vem antes do crescimento econômico. Por isso, toda estratégia de desenvolvimento deve primar pelo respeito à diversidade e às características das comunidades envolvidas”, ressaltou. Ele considera saudável a ruptura com o sistema econômico atual e crê que o sucesso deste movimento depende do grau de consciência popular. “A formação da consciência de que desenvolvimento não significa exploração do capital é que vai estimular a mobilização em torno de um modelo de desenvolvimento mais justo do ponto de vista econômico e social e, portanto, mais adequado ao que queremos para a região”, concluiu.
*Fonte: http://www.deputadobohngass.com.br/pt/noticias/News_Item.2009-08-26.5502 |